Edição 59 Sustentabilidade

O outro lado da crise: o bem na via de mão dupla

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Quando não damos conta de alguma tarefa, geralmente isso nos causa frustração. Mas desta vez, não dar conta de registrar todas as boas ações realizadas por empresas da cadeia automotiva durante esta pandemia nos encheu de orgulho. Inúmeras companhias do setor nos brindaram diariamente informando as suas realizações em prol de todos os necessitados que emergiram a partir da nova crise do coronavírus.

Essa mobilização gerou uma corrente do bem que perdura até hoje e deve permanecer ainda por algum tempo. Só para dar uma ideia, até agora foram doadas mais de 2,2 milhões de máscaras em todo o País – muitas delas confeccionadas a pedido de empresas do setor.

Além disso, os mais de 3 mil respiradores quebrados e armazenados em algum lugar esquecido dos hospitais brasileiros ganharam a oportunidade de voltar à ativa em um momento tão necessário como este – diversas montadoras se uniram em uma rede voluntária com o Senai para consertá-los. Até o fechamento desta edição, mais de 200 unidades já tinham sido devolvidas ao sistema nacional de saúde. Eles foram reparados nas fábricas das próprias montadoras, que adaptaram parte de seu espaço para a manutenção dos equipamentos, doando mão de obra, tempo e dinheiro.

Entre as empresas automotivas, a rede voluntária conta com ArcelorMittal, Grupo BMW, Fiat Chrysler (FCA), Ford, General Motors, Honda, Hyundai, Jaguar Land Rover, Mercedes-Benz, Moto Honda, Renault, Scania, Toyota, Troller, Usiminas, Vale, Volkswagen e Volvo, além do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e Poli-USP.

Além de consertar, as montadoras de veículos também se uniram com outras companhias em um grupo voluntário para produzir 4 mil novos respiradores – mesmo que esse não seja sua especialidade. A força tarefa se uniu à KTK, empresa fabricante e fornecedora de equipamentos hospitalares, cuja produção era de pouco mais de dois equipamentos por dia. Com a parceria, a fabricação será feita nos sete dias da semana e aumenta a capacidade em 30 vezes, para cerca de 70 respiradores por dia. A iniciativa conta com Mercedes-Benz, Toyota, Bosch, General Motors, Caoa Chery, ABB, Flex, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander.

Outra ação semelhante organizada pela Embraer reuniu empresas como a Randon para produzir 300 respiradores na Região Sul do País.

“Essa foi mais uma maneira que encontramos de colaborar neste momento em que a demanda global por este tipo de equipamento aumentou consideravelmente”, afirma Roberto Braun, diretor de assuntos regulatórios e governamentais da Toyota do Brasil.

Os agentes de saúde também têm recebido outro equipamento vindo das fábricas de veículos: protetor facial do tipo escudo – a maior parte feita em impressoras 3D. Entre as empresas que estão produzindo estão Aethra, CNH Industrial, Continental, Mercedes-Benz, PSA Peugeot Citroën, Volkswagen Caminhões e Ônibus e ZM.

Ações feitas por empresas da indústria automotiva durante a pandemia:

Respiradores

  • conserto de até 4 mil respiradores mecânicos
  • produção de 4,3 mil novos respiradores mecânicos

Doações

  • mais de 2,5 milhões de máscaras
  • cestas básicas de alimentos e produtos de higiene
  • ambulâncias para hospitais e secretarias de saúde
  • kits para testes de coronavírus
  • kits de limpeza
  • baterias para respiradores
  • milhares de refeições prontas para hospitais, asilos, crianças com idade de creche e caminhoneiros
  • óculos de proteção, agasalhos e cobertores
  • 8 mil pneus para ambulâncias e outros veículos de assistência pública
  • aço para construção de anexo hospitalar como centro de tratamento
  • álcool 70% para produção de álcool gel
  • produção de camas de metal para hospitais

Investimentos

  • na construção de hospitais de campanha
  • na ampliação de UTIs
  • para a criação de um fundo para atendimento a pessoas em situação de rua

Empréstimos

  • geradores de energia para hospitais
  • veículos diversos para hospitais para o transporte de doentes e equipes médicas
  • veículos para pequenos negócios

Serviços

  • sanitização de vias públicas
  • serviço gratuito de higienização para veículos de profissionais da saúde
  • criação de serviço exclusivo de atendimento a idosos durante a quarentena
  • reparação de veículos de secretarias de saúde com mão de obra gratuita

Parcerias

  • com universidades para o desenvolvimento de novos modelos de respiradores de custo menor

Gentileza gera gentileza

Empresas que de alguma forma ajudam com qualquer tipo de contribuição em um momento como este podem não se dar conta do benefício que elas mesmas poderão colher no futuro. Para Tom Moore, sócio-diretor da Mandalah, consultoria brasileira especializada em inovação com propósito para grandes corporações, o fato de a indústria automotiva se sobressair com este tipo de atitude faz com que as companhias mostrem, de forma genuína e verdadeira, uma reconexão com seus próprios valores e missão, reforçando a construção de sua marca.

“Fortalecer a marca é muito poderoso. Com todas essas ações as empresas estão redefinindo seu papel e a relação do negócio com a sociedade. E isso têm um efeito positivo não só do ponto de vista social, mas pode trazer uma série de benefícios junto aos clientes ou mesmo com os próprios funcionários ao reter talentos, além de outros ganhos que vão trazer resultados. Pode ser daqui a alguns meses ou daqui a um ano, não sabemos, mas é fato que se trata de uma mudança – e marcas mais fortes trabalham com essa autenticidade criando relações mais fortes e maior fidelidade”, analisa Moore.


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O especialista indica que este tipo de atitude mostra a mudança do mindset que as companhias estão adotando: “Elas estão dizendo ‘não estamos só vendendo, também estamos a serviço da sociedade’. Com isso, estão indo além do consumo, migrando para uma relação mais sutil e humana”.

Do mesmo modo, Moore reforça que para capturar os benefícios que tais ações podem alavancar no futuro é necessário ter uma visão integrada, com as pessoas envolvidas mostrando os resultados. “Se ficar só no âmbito periférico, provavelmente o impacto positivo interno será menor. É necessário criar uma maneira de engajar a fim de garantir que isso está ligado com o dia a dia.”

O papel dos líderes também é fundamental neste momento, uma vez que sua fala demonstra o que é a prioridade para a organização.

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