Artigos Edição 59 Transformação Digital

A Covid-19 e a transformação digital

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Claramente, a Covid-19 acelerou as atividades de transformação digital em organizações de vários setores – incluindo o automotivo. Mesmo antes da crise, relatórios como “The Evolved Enterprise”, da Prophet, ilustravam como a área de experiência do colaborador se tornara um foco de transformação cada vez mais importante. Isso foi radicalmente acelerado durante a pandemia, com a Covid-19 inaugurando uma nova era de práticas de trabalho remoto digital. Muitas organizações voltadas para o futuro já adotaram um futuro digital e decidiram tornar permanente a saída do escritório forçada pelo coronavírus.

A crise nos permitiu experimentar em primeira mão um dos principais problemas da transformação digital: implementar novas tecnologias é importante, mas não é a história toda. O verdadeiro desafio para alcançar mudanças duradouras e eficazes nas organizações é a parte humana e cultural. Pense em sua própria experiência nas últimas semanas. Em termos de tecnologia, você tem várias opções para comunicações remotas por vídeo, incluindo Zoom, Teams e Google Meet. Mas a chave do sucesso não está na sua seleção de tecnologia.

O maior desafio é garantir que suas equipes estejam engajadas, motivadas, focadas, proativas, responsáveis, disponíveis, ágeis, saudáveis fisicamente e psicologicamente. Para transformar a experiência do colaborador é preciso estabelecer e reforçar as condições, processos e protocolos corretos para que a organização floresça em seu novo contexto.

O verdadeiro desafio para alcançar mudanças duradouras e eficazes nas organizações é a parte humana e cultural

Tom Moore
Sócio da Mandalah

Vendas vão do off-line para o digital

A experiência do cliente é outra área significativa de transformação devido à Covid-19. Também é uma frente vital para investimentos neste momento: uma pesquisa da Forrester descobriu que as empresas que investiram na experiência do cliente durante a crise financeira em 2008 tiveram um desempenho três vezes melhor do que aquelas não o fizeram.

Podemos considerar a China o primeiro grande mercado global a passar para o outro lado da pandemia e oferecer uma pista do que está por vir no Brasil. Atualmente, uma das principais áreas de inovação automobilística na China são as vendas digitais. Em abril, quase 4 milhões de clientes em potencial da Tesla assistiram a uma hora de transmissão ao vivo dos veículos da empresa.

Os espectadores puderam agendar test drives pelo site e os representantes de vendas retornaram dentro de 48 horas após o webinar. As necessidades, hábitos e preferências dos clientes estão mudando diante de nossos olhos. Novas oportunidades de e-commerce não serão mais opções “boas de ter”, mas sim cada vez mais a norma, à medida que a natureza do relacionamento com os clientes evoluir na Economia Low Touch.

Stowe Boyd é um antropólogo do futuro, que analisa como nosso mundo do trabalho está mudando. Ele descreve várias fases pelas quais as empresas passam em sua jornada de transformação digital. No início, as organizações usam tecnologias digitais para realizar inovações incrementais, focadas principalmente em ganhos de eficiência e produtividade. A iniciativa de transformação geralmente está localizada no departamento de TI e prevalece uma mentalidade da era industrial. Essencialmente, o objetivo é: “fazer o que já fazemos, melhor”.

À medida que as organizações continuam sua jornada, elas começam a desenvolver um entendimento mais profundo da transformação. A mentalidade muda à medida que a organização começa a explorar maneiras completamente novas de trabalhar e liberar valor. A transformação vai além da TI para se tornar uma iniciativa em toda a organização e envolve o desenvolvimento de novos modelos e empreendimentos de negócios.

É aqui que a transformação digital se encontra agora na indústria automobilística brasileira. As organizações estão indo além dos estágios iniciais da experimentação e começando a explorar as transformações de nível mais profundo que são necessárias para se tornar verdadeiramente organizações ágeis e inovadoras, orientadas pelo propósito em uma economia digital.

A crise serve como um poderoso choque externo. A indústria automotiva brasileira está sendo forçada a mudar. No entanto, em meio à complexidade e incerteza sobre o futuro, uma coisa parece clara: quando o setor melhorar, serão as organizações que estiverem abraçando ativamente a transformação digital que irão liderar a recuperação.

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