Cenários Edição 59

Caminhões carregam melhor o peso da crise

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A Covid-19 não poupa ninguém nem setor econômico, incluindo a indústria automotiva que teve seus alicerces abalados pela pandemia de coronavírus que chegou com força ao Brasil em março. Contudo, o segmento de caminhões mostra maior capacidade de carregar o peso da crise. É certo que vendas, exportação e produção de veículos comerciais de carga também vão sofrer um tombo considerável este ano, mas os danos serão menores, mitigados principalmente pelo agronegócio e suas safras recordes, com poder de recuperar mais rápido os negócios do segmento, que pode voltar a repetir os números crescentes de 2019 já em 2021.

Enquanto o mercado nacional de veículos tendia a fechar o primeiro semestre com retração em torno de 40% na comparação com a primeiro metade de 2019, as vendas acumuladas de caminhões no período apresentavam queda sensivelmente menor, de 20% a 25%, para perto de 36 mil unidades vendidas, a maior parte de modelos pesados (cerca de 50%) e semipesados (25%), os mais utilizados em operações de transporte do agronegócio. Com isso, todos os fabricantes de caminhões no País reativaram suas linhas de produção em maio, ainda que com cadência reduzida, cerca de um mês antes das fábricas de automóveis.

“Existe demanda de alguns setores como agronegócio, químico e gás, celulose, alimentos e bebidas e farmacêutico. Mas outras áreas como logística, distribuição de mercadorias e construção civil, onde esperávamos forte recuperação, foram duramente afetadas pela crise e vão jogar os negócios para baixo”

Philipp Schiemer
Presidente da Mercedes-Benz do Brasil

Apesar da maior resiliência demonstrada pelo segmento até aqui, a associação dos fabricantes, a Anfavea, em sua primeira projeção pós-pandemia, no início de junho divulgou que espera a venda de apenas 65 mil caminhões em 2020 no Brasil, o que representa retração de 36% sobre 2019, quando os emplacamentos somaram 101 mil unidades e apontavam para crescimento de 18% este ano, para 143 mil. Se a Anfavea estiver certa, o segmento de veículos pesados de carga no Brasil irá regressar aos mesmos níveis da recessão econômica que abalou o País de 2014 a 2017.


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A Power Systems Research, consultoria especializada na indústria de veículos pesados, consolidou avaliação mais otimista em junho, revisando para cima suas projeções, com expectativa de venda de 75 mil caminhões no País em 2020, uma queda de 25% sobre o ano anterior. E para 2021 a PSR indica uma rápida recuperação, manteve a previsão em torno de 100 mil caminhões, praticamente o mesmo número de 2019.

“O mercado de caminhões não parou, por isso voltamos a produzir em maio. Existe demanda de alguns setores como agronegócio, químico e gás, celulose, alimentos e bebidas e farmacêutico. Mas outras áreas como logística, distribuição de mercadorias e construção civil, onde esperávamos forte recuperação, foram duramente afetadas pela crise e vão jogar os negócios para baixo”, avalia Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil até o fim de junho, quando foi substituído por Karl Deppen e regressou à Alemanha para ser o CEO da Mercedes-AMG, divisão de carros esportivos do Grupo Daimler.

“O agronegócio é a locomotiva do Brasil e do transporte pesado. Não é só para levar grãos, é uma cadeia complexa que requer muitos caminhões”

Alcides Cavalcanti
Diretor de vendas da Volvo do Brasil

As sucessivas safras recordes brasileiras e os negócios que se sustentam delas são as grandes responsáveis por imunizar parcialmente o setor de caminhões da crise. “O agronegócio é a locomotiva do Brasil e do transporte pesado. Não é só para levar grãos, é uma cadeia complexa que requer muitos caminhões”, afirma Alcides Cavalcanti, diretor de vendas da Volvo do Brasil.

Ônibus descem a ladeira da crise

O segmento de ônibus não conta com nenhuma imunização e é o mais afetado pela crise, pois depende da reativação da economia para voltar a funcionar plenamente. O nível de vendas de chassis despencou da casa de 2 mil unidades/mês para apenas 320 em abril e 666 em maio. Com isso, a Anfavea, que esperava por crescimento de quase 10% este ano (23 mil chassis), no início de junho revisou a projeção para queda de 52%, esperando que seus associados vão vender não mais do que 10 mil em 2020.

O mercado de ônibus rodoviários praticamente parou com as diversas restrições a viagens causadas pela pandemia, o que cancelou qualquer plano de compra de veículos novos. Também houve interrupções de renovações de frotas urbanas com a paralisação parcial do transporte público das cidades.

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