Edição 59 Termômetro

Depois da crise, a recuperação

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A pandemia de Covid-19 teve efeito devastador sobre a cadeia de valor, como indicam os Resultados do Termômetro do Setor Automotivo, levantamento realizado por Automotive Business em parceria com a Roland Berger.

Para indicar quais são os caminhos para que empresas pavimentem a saída da crise, a reportagem ouviu quatro grandes consultorias que trazem a visão para o segmento de veículos leves, de pesados e fornecedores.

Conheça a seguir as considerações de Carlos Briganti, managing director da Power Systems Research América do Sul, Letícia Costa, sócia da Prada Assessoria, Paulo Cardamone, chief strategy officer da Bright Consulting, e Thiago Costa, analista do mercado de caminhões para a América do Sul da IHS Markit.


Ações que podem ajudar a atravessar a crise

Letícia Costa
Prada Assessoria

A maior preocupação deve ser a liquidez. É prudente que as empresas tenham um colchão de liquidez para enfrentar futuro ainda bastante incerto, como também um 2020 ruim para quase todos. Um certo grau de otimismo com relação ao futuro é importante, porém é preciso reconhecer que o curto prazo não será positivo e que a demora em fazer ajustes será prejudicial.

Carlos Briganti
Power Systems Research

No curto prazo o maior desafio é a gestão de custos e de caixa. No médio prazo, na esperada retomada, o principal ponto é desenvolver estratégias para ampliar o faturamento e a rentabilidade. Neste aspecto, há vários caminhos, como fusões e aquisições, além do aumento do valor agregado, melhorando o portfólio de produtos e clientes. Outra necessidade é buscar eficiência operacional na produção e nos processos administrativos, além de cooperação na cadeia de valor.

Paulo Cardamone
Bright Consulting

É essencial obter recursos para reequilibrar o caixa e buscar novos fornecimentos dentro das core competences de cada empresa. O melhor remédio é a resiliência, a coragem e o empenho em desenvolver uma visão de mercado mais razoável.

Thiago Costa
IHS Markit

O governo discute a oferta de crédito às montadoras de forma geral. Entretanto, o segmento de pesados deverá sentir menos do que o de veículos leves. No campo de investimentos, muitos projetos já foram postergados ou cancelados, o que mostra apreensão do setor, mesmo com uma lei de emissões a ser cumprida em alguns anos. Com relação às vendas, a necessidade de buscar novos mercados nunca foi tão grande quanto agora. De forma geral, as exportações tinham a Argentina como destino principal. Com a crise, é preciso buscar outros parceiros internacionais, ainda que o contexto seja desfavorável.


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No pós-crise, onde estarão as maiores oportunidades para a indústria?

Letícia Costa
Prada Assessoria

O setor de caminhões e ônibus irá sofrer um pouco menos que o de veículos de passageiros. Da mesma forma, o segmento de máquinas e implementos agrícolas deverá se recuperar mais rápido. O mercado de veículos de passageiro deverá sentir bastante, mas as oportunidades no segmento de usados podem ser interessantes, assim como no aftermarket.

Carlos Briganti
Power Systems Research

Há oportunidade de diversificação do portfólio com mercados de equipamentos de construção e agrícola. São segmentos que permitem margens maiores. Outro caminho promissor é equilibrar o fornecimento às fabricantes de veículos e sistemistas e ao mercado de reposição. Veremos também movimento pela nacionalização de componentes tanto por causa do dólar valorizado, quanto por questões logísticas.

Paulo Cardamone
Bright Consulting

As empresas precisam fazer muito mais com menos, se apoiando em modelos de gestão inteligente, mais assertivos e capazes de reduzir desperdícios e aumentar a produtividade. Todo mundo fala em indústria 4.0 pensando na manufatura, mas quando se trata de gestão, o modelo ainda é, no limite, 2.0.

Thiago Costa
IHS Markit

Ainda é cedo para falar sobre a superação do momento mais agudo da crise. Ainda assim, alguns segmentos continuam demandando caminhões por estarem em outro contexto. No início da pandemia o agronegócio, com o dólar em patamar recorde, manteve sua performance e deverá fechar com saldo positivo. Entre os caminhões médios, os usados na distribuição de alimentos e bebidas sentiram menos a crise.

O novo normal para o setor automotivo

Letícia Costa
Prada Assessoria

A disrupção ainda chegará na indústria, embora mais lentamente, seja porque as empresas terão de reduzir investimentos por um tempo, seja pela mudança nos hábitos do consumidor. O consumidor deve dar preferência ao transporte individual. São mudanças provavelmente temporárias até que surja uma vacina ou tratamento para a Covid-19. As demais tendências, como eletrificação e automatização, permanecem.

Carlos Briganti
Power Systems Research

O avanço do trabalho remoto vai provocar grande disrupção no formato tradicional das empresas. Já a mudança no uso dos veículos e hábitos de mobilidade precisa ser melhor compreendida. Ao mesmo tempo em que temos uma redução da demanda por causa do home office, em alguns casos vemos a migração do transporte público para o individual.

Paulo Cardamone
Bright Consulting

Muitas coisas vão mudar – principalmente aquelas ligadas à maior digitalização e automação. No modelo organizacional, a percepção de que é possível fazer mais com custo menor via home office e comunicação digital deve trazer grandes benefícios. Novos formatos de vendas vão transformar os modelos tradicionais. Em um futuro próximo poderemos ter 30% menos concessionárias do padrão atual, com novos formatos de showroom, pontos de serviços e lojas multimarcas. As cadeias de fornecimento sofreram com risco de desabastecimento por causa da logística e de variação cambial e, por isso, serão reavaliadas.

Thiago Costa
IHS Markit

O pós-pandemia vai acelerar ainda mais as mudanças na logística do país. No agro a integração entre os modais tende a aumentar. Na distribuição de mercadorias em geral, o uso de galpões logísticos próximos aos grandes centros favorecerá alguns segmentos de caminhões e poderá quase extinguir outros. As transportadoras vão privilegiar as rotas entre centros de distribuição e deixar a última milha para os pequenos operadores. A chegada de novas tecnologias e da nova legislação de emissões, que demanda investimentos, tende a ser postergada.

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