Artigos Edição 59 Transformação Digital

Os desafios e oportunidades da digitalização para uma cultura inclusiva

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Ao contrário do que temos escutado nos últimos tempos em função da pandemia que vivenciamos, não há um distanciamento social. Pelo contrário, estamos mais conectados do que nunca, inclusive nos aproximando de pessoas que há muito não tínhamos contato.

Os aplicativos que viabilizam reuniões virtuais, antes mais restritos ao ambiente corporativo, se popularizaram e hoje fazem parte da rotina de adultos e crianças, aproximam parentes que moram em extremos opostos do país ou mesmo em regiões distantes do planeta.

O distanciamento que vivemos está longe de ser social. Trata-se de um distanciamento físico. E esta distância de corpos que fomos forçados a adotar traz desafios extras para a construção de um ambiente de trabalho que inclua todas as pessoas. Porque, no fim das contas, o convívio é a forma mais eficaz de humanizar as relações e consequentemente diminuir a discriminação.

A parte boa desta história é que se soubermos lidar com estes desafios, o saldo pode ser bastante positivo no processo de promover equidade em relação aos diferentes aspectos da diversidade.

O avanço da digitalização pode ajudar a empresa em um de seus maiores desafios para o engajamento de colaboradores, sobretudo para aqueles
que trabalham em localidades distante do escritório principal. A popularização das reuniões online permite que, a um baixo custo, a alta liderança da empresa se conecte com as equipes, tanto com profissionais que atuam nas áreas administrativas, quanto com aqueles que estão na linha de produção. A informação tende a chegar de forma mais rápida e eficiente em cada canto da organização.

Ainda nesta direção, percebemos que as atividades corporativas voltadas à promoção da diversidade e da inclusão também são impulsionadas à medida com o avanço da digitalização, permite a prática do trabalho remoto. Se bem organizado, o home office pode facilitar a vida de muita gente, sobretudo a das mulheres que, por razões culturais, em geral ainda ficam com a maior parte da carga nas tarefas familiares, como cuidar do filhos e da casa.

Toda esta transformação se acelerou com o momento em que vivemos. É importante, entretanto, manter a atenção em alguns pontos para que de fato esta mudança promova mais inclusão, sob o risco de fortalecermos um canal de comunicação de mão única.

Neste sentido as comunicações serão de fato eficazes se utilizarem as diferentes formas de interação entre as pessoas, dando a oportunidade, até então rara, para que a alta liderança das empresas receba diretamente dos seus colaboradores um feedback sem eventuais ruídos fruto da interpretação dos intermediários no processo de diagnóstico.

Um outro ponto fundamental para que as mudanças em curso joguem a favor da inclusão é estarmos atentos à acessibilidade dessas ferramentas para as pessoas com deficiência. Caso este ponto seja negligenciado, corremos o risco de impor uma barreira intransponível para parte significativa de nossa população interna participar das interações. Entre os diversos resultados negativos, um contexto assim assim geraria prejuízo enorme nas possibilidades de desenvolvimento profissional deste grupo.

O momento é de fato desafiador para todos nós. Mas do ponto de vista da inclusão, as transformações que estão sendo aceleradas podem tornar o ambiente de trabalho pós-pandemia um lugar onde as vozes poderão ser mais ouvidas, respeitadas e consideradas.

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