Edição 59 Transformação Digital

Transformação digital ganha força extra

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Logo que o coronavírus começou a avançar pelo ocidente, circulou nas redes sociais uma imagem com a pergunta: Quem liderou a transformação digital na sua empresa? Entre três alternativas, a resposta circulada era a “Covid-19”, no lugar das opções CEO ou CTO.

A brincadeira tem um bom fundo de verdade, como conta Eduardo Peixoto, chief designer officer do Cesar, centro de inovação de Recife, e parceiro de Automotive Business na construção do Índice de Transformação Digital, criado em 2019. “Com a Covid-19, pegamos túnel do tempo e saímos do outro lado”, resume. E complementa: “A pandemia acelera mudanças e traz para as empresas a consciência de que quem não se prepara para o digital pode ter problemas. Nenhuma organização vai aceitar correr este risco de novo.”


“A pandemia acelera mudanças e traz para as empresas a consciência de que quem não se prepara para o digital pode ter problemas. Nenhuma organização vai aceitar correr este risco de novo”

Eduardo Peixoto, chief designer officer do Cesar


Em 2019, pesquisa feita com as empresas automotivas indicava que o setor ainda estava longe da maturidade digital. O grau de transformação digital da indústria apurado naquele momento era de 57,3% – sendo 0% um contexto de negócios totalmente analógico e 100% a maturidade digital.

Para chegar ao resultado, o índice se baseia em oito eixos (veja gráfico). Embora seja cedo para consolidar uma nova medição no setor automotivo, Peixoto indica que a tendência é de que a pandemia impulsione a indústria a evoluir em algumas frentes, enquanto outras seguem com no mesmo patamar – talvez até com novos desafios.

Mudança acelerada

Peixoto aponta que um dos eixos que representam a maior oportunidade para o momento é o de consumidores. O isolamento social impôs uma mudanças na maneira como empresas se relacionam com os clientes, com a necessidade de desenvolver soluções conectadas.

“O momento atual coloca em xeque premissas de negócio que nunca achamos que iriam desaparecer, como instalar pontos de venda físicos e ter como métrica de sucesso o número de pessoas por metro quadrado. Isso tudo acabou”, analisa. Com o declínio das experiências presencial, o especialista lembra que o e-commerce ganha força como nunca antes.

A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCom), calcula que cresceu em 400% o número de estabelecimentos que passaram a vender on-line desde que o isolamento social começou no Brasil. Tudo para responder ao crescimento da demanda, que saltou com o aumento das compras de clientes já habituados ao ambiente digital e com a chegada de 4 milhões de consumidores que migraram do off-line para o on-line.

“A pandemia acelerou a adoção do hábito com as soluções que criam uma capa digital a negócios tradicionais, como aplicativos de entrega como iFood e Rappi”, diz. Chamado de Direct to Consumer (D2C), este movimento, diz Peixoto, traz duas consequências importantes ao setor automotivo. A primeira delas é que este contexto acelera o processo de tornar os pontos de venda físicos menos relevantes.

“Quando você se acostuma com o D2C, fica difícil voltar atrás”, enfatiza. Ele entende que há, neste novo normal, uma série de oportunidades para garantir presença de marca online e conveniência no mundo físico, com soluções como levar o carro até o cliente para que ele faça test drive. “É preciso pensar em como impactar o consumidor sem esperar que ele vá até a loja”, enfatiza.

Novos produtos

O segundo grande impacto do avanço do D2C está na mobilidade, que muda com o fortalecimento da demanda pelo transporte de mercadorias e pedidos feitos on-line, diz Peixoto. “Talvez isso representa uma nova frente para o setor automotivo, mais focada em veículos menores, mais baratos e com custo baixo de utilização”, afirma.

Segundo ele, as empresas podem pensar em soluções muito utilitárias de transporte que garantam segurança à população cada vez maior que trabalha com entregas ou como motoristas de aplicativos. “Devemos ter ondas da pandemia, como temos visto em outros países, com períodos de flexibilização e outros de volta ao isolamento social. Assim, mesmo depois de tudo isso, a tendência é de que as pessoas passem mais tempo em casa e usem estes serviços”, projeta.


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Peixoto entende que, no médio e longo prazo, quando o coronavírus deixar de ser o principal assunto da sociedade, a tendência é de que as pessoas se mantenham mais exigentes em relação aos governos e empresas. “Teremos um aumento da pressão por mudanças porque alguns riscos vão deixar de ser aceitáveis”, diz.

Ele cita que deve continuar em alta a demanda por mais higiene para evitar novas ondas de contaminação ou o surgimento de outras doenças. Também tende a crescer a exigência de um compromisso das organizações por soluções mais sustentáveis, que não contribuam para o aquecimento global, por exemplo. “Neste escopo, há um universo de oportunidades que surgem no setor automotivo. Além do carro elétrico, temos a questão dos materiais, da reciclagem de veículos, de pensar na economia circular”, resume.

Home office cresce, mas ainda depende de mudança cultural

Um dos eixos da transformação digital é justamente a evolução da cultura corporativa das empresas. Neste ponto, Eduardo Peixoto, do Cesar, entende que a contribuição do momento atual foi pequena.

“A pandemia colocou as pessoas em home office, mas teve pouco impacto na cultura hierárquica, de baixa autonomia para que as pessoas experimentem”, diz. Para ele, o trabalho remoto só será realmente eficiente no setor automotivo quando houver uma cultura de colaboração e autorresponsabilidade, algo que não é construído de uma hora para a outra, no susto da pandemia.
Com isso, o especialista considera que há muito trabalho a fazer nesta frente, que é essencial para que as outros eixos da transformação digital avancem.

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