Edição 60 Planejamento 2021 Tendências

A estratégia como foco da retomada dos negócios

Especialistas enumeram os principais pontos de atenção que o setor deve considerar ao vislumbrar o que 2021 nos reserva
Sueli Reis

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O grau de complexidade que o cenário macroeconômico atual ainda impõe não deve impedir as empresas da cadeia automotiva de vislumbrar o que está por vir em 2021. Especialistas do setor indicam que um bom planejamento estratégico pode possibilitar ao setor colocar os negócios de volta nos trilhos, mesmo após a avalanche de impactos negativos que vieram com a crise que chegou com a pandemia do novo coronavírus.

Embora o empresário brasileiro seja caracterizado como acostumado com as crises econômicas, desta vez A estratégia como foco da retomada dos negócios a pandemia inseriu questões adicionais que vão além de uma crise comum gerada por uma economia fraca e sua falta de competitividade. O problema sanitário global trouxe à tona uma série de questões, algumas até positivas, como a aceleração da transformação digital, mas, por outro lado, o efeito avassalador do isolamento social e das quarentenas mundo afora causou pânico mundial, derrubando as atividades do comércio em geral.

Um dos pontos a serem considerados neste momento, aponta a Roland Berger, é a redução da globalização. Em seu relatório preparado exclusivamente para Automotive Business, a consultoria indica um movimento relacionado à cadeia de suprimentos denominado “glocalização”, termo utilizado para identificar a tendência de maior regionalização das cadeias de abastecimento pelas OEMs.

A tendência indica que é evidente após a pandemia a urgência de repensar estrategicamente de modo amplo, o que envolve todos os âmbitos do negócio, incluindo a logística. Ao mesmo tempo, essa reestruturação geolocal pode representar uma oportunidade única para os diferentes agentes da cadeia de valor, que podem elevar sua operação atual com o desenvolvimento de novas parcerias.

“Buscar novos modelos e canais de venda, tanto B2C quanto B2B, pode ser um diferencial. Para isso, explorar a viabilidade e os canais digitais e novos modelos de negócio será obrigatório em 2021”, aponta a Roland Berger em seu relatório.

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E O NOVO NORMAL?

A especialista e consultora Letícia Costa, da Prada Assessoria, também indica outros aspectos a serem considerados quando o assunto é planejamento para 2021, como a digitalização e as mudanças de comportamento do consumidor que também mudaram ou se intensificaram com a pandemia.

Ações digitais em marketing, vendas, pós-vendas e aftermarket ganharam notoriedade ao longo dos últimos meses, uma vez que era a única possibilidade segura de se comunicar com o cliente.

“Essa é uma questão importante, já que existem muitas possibilidades de incrementar os negócios usando ferramentas como realidade virtual, por exemplo. Além disso, a digitalização representa possibilidade de reduzir os preços, o que é sempre desejável no momento atual”, diz Letícia Costa.

Ela lembra ainda das forças opostas que devem guiar o mercado de veículos no País nos próximos meses e chama a atenção para a revalorização da posse do automóvel: existe a intenção de muitos consumidores de abandonar o uso do transporte coletivo em favor de um carro particular. Tal comportamento, que estava em queda antes da pandemia, ganhou força por questões sanitárias, já que muitas pessoas pretendem evitar as aglomerações contaminantes do transporte público ou compartilhado.

Além disso, também deve ser levado em consideração o trabalho remoto (home office), que impacta tanto no transporte coletivo quanto no individual.

No entanto, ela alerta, não se deve ignorar o fato de que também há o receio que o brasileiro tem com a falta de segurança econômica para adquirir um veículo novo. O aumento do desemprego continuará sendo o principal gargalo da economia do País em 2021.

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