Edição 60 Reconhecimento

FCA Latam premia fornecedores com aceno a aumento de nacionalização e produção

Empresa monta estratégia para estimular localização de componentes para novos produtos e contornar alta do dólar
Pedro Kutney

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Com aceno à necessidade premente de aumentar a nacionalização de componentes para os veículos produzidos no Brasil e na Argentina, bem como acompanhar o crescimento da produção em velocidade acima da prevista desde a crise instalada pela pandemia de coronavírus, a FCA Latam realizou dia 29 de setembro o Annual Supplier Conference & Awards com o reconhecimento dos seus melhores fornecedores na região, em 20 categorias.

MELHORES FORNECEDORES

Na edição 2020 de seu prêmio aos fornecedores a FCA Latam escolheu as empresas que apresentaram os melhores desempenhos em 20 categorias de avaliação durante 2019. Este ano também foram apontados 23 parceiros que ajudaram nas ações para mitigar os efeitos da pandemia de coronavírus, como fabricação de máscaras e protetores faciais, manutenção e transporte de respiradores, doações e construção de hospitais de campanha.

Confira os reconhecidos na premiação

• Princípios Fundamentais: Gestamp Argentina

• Otimização de Valor: Yazaki do Brasil

• Inovação: MTA Brasil Indústria

• Digital: Take

• Componentes de Chassis: Mando Corporation do Brasil

• Componentes de Carroceria: Itaesbra Indústria Mecânica

• Interiores: Iber-Oleff Brasil

• Elétricos e Eletrônicos: Yazaki do Brasil

• Powertrain: Aisin AW Co

• Sistemas de Motores: Denso Sistemas Térmicos do Brasil

• Matérias-primas: PPG Industrial do Brasil

• Serviços: Rev Brasil Adaptação Veicular

• Capex (equipamentos): GME Aerospace

• Materiais Indiretos: Guhring Brasil Ferramentas

• Mopar (aftermarket): Shell Brasil Petróleo

• Gestão de Logística de Suprimentos: Expresso Nepomuceno

• Gestão de Escoamento da Produção: Sada

• Gestão de Logística Interna (IRF): Jas Sonave

• Sustentabilidade: Lear Corporation

• Fornecedor Argentina: Tiberina Automotive Argentina

Reconhecimento aos parceiros em ações contra a Covid-19

• Adler
• Azul
• Brose
• Comau
• Denso
• FMM
• Furlong Brasil
• Jabil
• Jas Sonave
• Lear
• Lidermac
• New Tech
• Pirelli
• PMC
• PSMM
• Revestcoat
• Sada
• Saint Gobain
• Senai/Fiemg
• Seris
• Transac
• Tiberina
• Ventana

PROXIMIDADE DA CADEIA DE SUPRIMENTO

Durante a cerimônia on-line, Juliano Almeida, diretor de compras da montadora na América Latina, destacou que seu principal objetivo é construir uma relação mais próxima da FCA com os elos de sua cadeia de suprimentos, como fator fundamental para superar o momento difícil, atender a demanda crescente, lançar novos produtos e melhorar o desempenho dos negócios em ambos os lados do balcão.

“Queremos ser o cliente preferencial, para que os fornecedores tragam primeiro a nós novas tecnologias, processos, soluções e serviços que farão que a FCA seja reconhecida como empresa inovadora, arrojada, rápida e pioneira. Mais do que um produtor de componentes, o fornecedor é um parceiro no desenvolvimento de nossos produtos”, destacou Juliano Almeida.

Segundo o diretor, os objetivos estratégicos da FCA para agora e 2021 com sua cadeia de fornecedores são localização, atendimento ao desenvolvimento de novos produtos que serão lançados em breve (como dois SUVs Fiat e um Jeep que chegam nos próximos 18 meses), otimização de valor e maior agilidade na resposta ao mercado.

Com o aumento da demanda acima do esperado, Almeida conta que a redução do orçamento de compras da FCA de seus 450 fornecedores ativos este ano deverá girar em torno de 22% a 25%, resultado bem melhor do que a baixa esperada de 36% no início da crise, em março/abril. Ele não divulga o valor total, mas em 2019 a montadora estimava gastar € 4,4 bilhões em compras na América Latina, em crescimento de 16% sobre 2018. Para 2020 sabe-se que a projeção era de nova expansão, mas a pandemia reverteu as expectativas e a desvalorização do real reduz ainda mais a soma em moeda forte.

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VOLUMES CRESCENTES E GARGALOS

Almeida reconhece que a pandemia desestabilizou a cadeia de suprimentos, criou gargalos e a FCA vem enfrentando problemas nos últimos meses com falta de componentes. “Algumas empresas não acreditaram que iríamos recuperar a produção em ritmo mais acelerado. Com isso, demitiram e ficaram sem recursos para retomar o fornecimento na medida que precisamos. Estamos conversando com os fornecedores para que atentem para sua capacidade produtiva e se preparem para assegurar entregas em volumes crescentes nos próximos meses”, afirmou.

O principal motivo da demanda acima da esperada atende pelo nome de nova Fiat Strada, que começou a ser entregue aos concessionários em julho passado. Segundo Almeida, antes mesmo da pandemia a FCA estimava que o pico de demanda da picape seria atingido só em 2021 com produção de cerca de 440 unidades por dia, cinco dias por semana. Com o sucesso instantânea e não esperado, a procura atual pela Strada já passa de 600 veículos por dia.

“Recebemos 28 mil encomendas, isso equivale a quase três meses de produção. Os estoques de componentes que tínhamos para produzir foram exauridos nas primeiras semanas após o lançamento, precisamos reprogramar os pedidos e adiantar investimentos em aumento de capacidade”, conta o diretor de compras.

Olhando para 2021, com mais lançamentos previstos, Almeida corre contra o tempo para colocar a cadeia em linha com as expectativas de sucesso e crescimento das vendas. Segundo ele, a proposta é trazer os fornecedores para mais perto, checar quais são as dificuldades e gargalos. “O objetivo é mudar a relação comercial tradicional de compra e venda para um modelo de parceria de negócios. Tenho conversado a cada trimestre com presidentes das empresas fornecedoras, para construir essa nova relação e antecipar problemas que podem ser resolvidos antes de afetar nossos resultados”, relata.

FOCO NA NACIONALIZAÇÃO

Com a pressão da desvalorização cambial que torna muito mais caros os componentes importados, ao mesmo tempo que nos próximos anos os veículos devem adotar uma série de sistemas que hoje não são produzidos no País, o aumento da nacionalização virou objeto do desejo de qualquer diretor de compras. “Vamos estimular todos os fornecedores a olharem para suas cadeias de valor para identificar qualquer oportunidade de localizar a produção”, assegura Almeida. Ele acrescenta que o problema da alta nos custos provocada pelas importações tende a se agravar: O mercado está se recuperando mais rápido que o esperado e com aumento da demanda por veículos de maior valor, que têm mais itens importados”, sublinhou.

Um desses itens é o câmbio automático, cada vez mais presente em carros nacionais e ainda sem produção nacional. Almeida concorda que é um ótimo candidato à nacionalização, com alto valor agregado, mas reconhece que há dificuldades para isso, como o alto investimento envolvido em uma fábrica enquanto no exterior os fornecedores têm capacidade de sobra para exportar as transmissões ao Brasil. “Uma forma de superar isso seria a união entre as montadoras, por meio de uma iniciativa da Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) ou mesmo em acordos entre empresas”, sugere.

Mas há diversas oportunidades, segundo aponta o diretor, como câmeras de ré ou até esferas de rolamentos, que hoje vêm da China: “Isso não faz o menor sentido, temos de voltar a produzir aqui itens como esses”, diz. Além de terem ficado mais caros com a desvalorização cambial, essas importações também são fontes de gargalos logísticos, que foram evidenciados com a pandemia. Almeida conta que precisou pagar fretes aéreos para trazer peças porque houve paradas de fábricas no exterior e quando voltaram a operar não conseguiriam atender os pedidos a tempo pelas vias marítimas, que podem levar meses de viagem.

A FCA opera com graus distintos de nacionalização em suas duas marcas de veículos produzidas no Brasil. Enquanto na Fiat em Betim o índice de localização chega a 90%, na Jeep em Goiana (PE) baixa para 55%, afetado também pela alta do dólar que aumenta a proporção do valor em reais de itens importados.

Almeida conta que procura barganhar com os fornecedores os pedidos de reajustes de preços provocados pela desvalorização cambial em troca da promessa de esforços de nacionalização. “Procuramos conversar e entender a necessidade de cada um. O comprador aqui também precisa ser um gestor do negócio do fornecedor. Pergunto a eles como podemos juntos mitigar o impacto cambial”, diz.

Uma dessas formas é negociar exportações para outras unidades da FCA no mundo, o que compensaria a desvantagem cambial. Almeida aponta que “com o câmbio a mais de R$ 5 por dólar o Brasil passa a ser um dos fornecedores mais competitivos do mundo”. Segundo o diretor, há alguns meses a empresa buscou identificar oportunidades de direcionar parte da produção de componentes dos parceiros para outras unidades do grupo, mas que no momento esse projeto foi interrompido pela alta da demanda interna da própria FCA no Brasil.

A FCA também administra um programa para aumentar a eficiência dos fornecedores na região, o SIM (Supply Integration Management), em que coloca um analista para trabalhar com duas empresas e ajudar na adoção de ferramentas para melhorar a produtividade e qualidade. Hoje 65 fornecedores da FCA participam do SIM, que desde sua criação em 2017 desenvolveu 472 projetos que geraram economias ou evitaram desperdícios que somam R$ 50 milhões, com a introdução na cadeia 122 processos de melhores práticas e 7.456 horas de treinamento.

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