Edição 60 Planejamento 2021

O futuro dos negócios é regenerativo

Para os estudiosos de tendências e futuro Laura Kroeff, da Box1824, e Gil Giardelli, da 5Era, as empresas de sucesso serão aquelas capazes de construir valor compartilhado, não apenas lucro
Giovanna Riato

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A pandemia de Covid-19 acelerou a chegada de uma série de tendências, como a digitalização, que ganhou forte protagonismo. Há no entanto, uma revolução mais silenciosa, mas tão consistente quanto: a ascensão da economia regenerativa. O conceito foi apresentado no #ABPlanOn – Planejamento Automotivo por Laura Kroeff, vice-presidente de desenvolvimento de produto da Box1824, consultoria dedicada a estudar comportamentos emergentes.

Trata-se da capacidade de empresas usarem o seu core business para, além do lucro, gerar impacto positivo na sociedade e no ecossistema em que estão inseridos.

“Estamos falando de oportunidades de negócios que constroem valor compartilhado, com retorno financeiro para a empresa e benefícios para seus diferentes steakholders”, conta Laura Kroeff.

Ela cita o exemplo de algumas startups que se destacam como unicórnios na América Latina, atingindo valor de mercado superior a R$ 1 bilhão. “São organizações que resolvem problemas reais da sociedade, como o acesso ao crédito, por exemplo”, lembra. Quando se fala de organizações mais tradicionais, a consultora lembra do Magazine Luiza, que ganhou enorme visibilidade na pandemia ao gerar empregos e defender a postura corporativa de não demitir.

“Nossas pesquisa indicam que as empresas que assumem a postura de ajudar a resolver problemas e têm um propósito para a tomada de decisões saem fortalecidas das crises. Há um retorno claro de construção de reputação e da predileção do consumidor”, conta a vice-presidente da Box1824.

Laura indica, cada vez mais, que os negócios prósperos serão aqueles com características regenerativas porque o consumo está mais social. Segundo ela, as pessoas dão preferência a comprar de empresas que demonstram preocupação em ter relações transparentes e igualitárias com seus colaboradores e com a comunidade.

A consultora avalia que este movimento ganhou força após a pandemia justamente porque grande parte da população, além de correr riscos relacionados à saúde, enfrentou agravamento da situação financeira. “Os consumidores ficaram mais atentos a estas questões”, diz.

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A ASCENSÃO DA SOCIEDADE 5.0

O estudioso da era digital, professor e cofundador da 5Era, Gil Giardelli, destacou no evento conceito com forte relação com a economia regenerativa: a sociedade 5.0. Apresentada pelo governo japonês, a iniciativa pretende estimular o uso das novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida da população como um todo, corrigindo desigualdades.

“Como disse o ex-primeiro ministro japonês, Shinzō Abe, ‘se o mundo não for das 7 bilhões de pessoas que moram nele, não será de ninguém’. Precisamos construir uma sociedade que compartilhe o valor do conhecimento científico, da ética, e da criatividade”, resume Giardelli.

Quando se trata de mobilidade, o especialista lembra que este conceito deve permear a construção de novas soluções de transporte e das cidades inteligentes. Segundo ele, o Brasil precisa planejar qual posição vai ocupar no contexto de inovação verde e de redução da injustiça social.

“Uma organização especializada apenas em engenharia ou em vendas não vai conseguir fechar as contas neste novo contexto. Empresas que só moverem átomos e não moverem bytes terão um problema”, diz Gil Giardelli.

Para acompanhar (ou protagonizar) esta evolução, Giardelli aponta que será essencial promover uma transformação na liderança das organizações. Segundo ele, o novo mundo pede gestores capazes não simplesmente de inovar, mas de promover as condições para que todos inovem. Se antes as lideranças precisavam demonstrar perfeição, hoje é preciso evidenciar honestidade e humildade. “É o fim da síndrome do super-herói e da super-heroína”, determina Giardelli. Tudo para construir um contexto de mais valor compartilhado.

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