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Pandemia eleva insegurança e ansiedade em quem trabalha no setor automotivo

Conclusão é da pesquisa Pandemia no Setor Automotivo: Trabalho e Sentimento, realizada por Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria
Natália Scarabotto

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A pandemia afetou diversos âmbitos da vida dos colaboradores do setor automotivo. No trabalho, a maioria passou a atuar em home office com redução de jornada e salário. A insegurança em relação ao emprego aumentou e as empresas pouco ofereceram em acolhimento dos funcionários. No âmbito pessoal, a maioria dos profissionais sente-se esgotada física e mentalmente, além de ansiosa. Essas são algumas conclusões da pesquisa Pandemia no Setor Automotivo: Trabalho e Sentimento, realizada por Automotive Business com coordenação técnica da MHD Consultoria, que será lançada em outubro. 

O levantamento foi respondido por 754 profissionais de todas as áreas do setor, sendo 41% funcionários de empresas de autopeças e 21% de montadoras. Participaram profissionais da alta liderança (20%), média gestão (41%) e staff (40%). Foram ouvidas também 76 empresas. O levantamento cruzou parte das respostas de colaboradores e das empresas a fim de obter uma visão mais ampla do setor durante a pandemia.

REDUÇÃO DA JORNADA, DO SALÁRIO E MEDO DE PERDER O EMPREGO

Segundo a pesquisa, a maior parte dos trabalhadores teve redução de jornada de trabalho e de remuneração (46%). Perderam o emprego durante a pandemia 3% dos entrevistados como consequência da abrupta retração do mercado.

E, mesmo meses depois do início da pandemia, os funcionários continuam receosos. Quase 40% dos colaboradores sentem-se inseguros em relação ao trabalho. Já 6% dos profissionais declaram estar inseguros e desamparados pelas organizações em que trabalham. Ainda assim, a maioria dos respondentes, 61%, afirma sentir-se amparada e acolhida por suas empresas.

Para o futuro, 43% dos colaboradores temem perder o emprego em consequência da pandemia, enquanto 38% expressam receio de redução no salário e 32% se preocupam com a possibilidade de ter promoções adiadas e aumento da cobrança e do estresse. A pesquisa evidencia ainda que 21% se preocupam em enfraquecer o networking que têm no setor automotivo.

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HOME OFFICE ESTÁ EM ALTA, MAS JORNADA FLEXÍVEL É O MODELO MAIS DESEJADO

Para garantir a segurança e saúde dos colaboradores, o home office integral foi adotado por quase todo o setor e 53% dos colaboradores continuam trabalhando assim. Ao mesmo tempo, 21% já estão em jornada flexível, com dias de trabalho presencial e outros em home office. Cerca de 10% dos colaboradores voltaram à rotina presencial, enquanto 15% não deixaram de trabalhar presencialmente em nenhum momento.

Para o período pós-pandemia, 81% dos colaboradores querem continuar em regime flexível, com dias de home office e outros no trabalho presencial. Este modelo de trabalho pode ser o futuro no setor, visto que 62% das companhias também consideram vantagem dividir o tempo de trabalho entre a casa e o escritório, sendo que 26% das empresas pretendem apostar em mais dias de trabalho remoto.

MULHERES SOFREM MAIS COM ANSIEDADE E ESGOTAMENTO

O trabalho em casa é considerado benéfico em alguns momentos, mas em período integral, durante muitas semanas de pandemia, contribuiu para o aparecimento ou aumento de sintomas negativos: 84% dos entrevistados relataram sentir ansiedade, 71% esgotamento mental, 57% insônia e 51% sentiram esgotamento físico.

As mulheres são as mais afetadas pelos sintomas negativos por serem a maior parte dos colaboradores em home office, ao mesmo tempo em que são as únicas ou as responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas em suas casas.

EMPRESAS OFERECEM POUCOS RECURSOS PARA ACOLHER DEMANDAS DOS FUNCIONÁRIOS

Os sentimentos negativos dos colaboradores podem ser agravados pelos poucos recursos ofertados pelas empresas para acolher as novas demandas dos colaboradores na pandemia. De 11 quesitos avaliados pela pesquisa, as empresas do setor automotivo tiveram desempenho satisfatório em apenas três, segundo os profissionais: oferta de transporte seguro, informações sobre cuidados com a saúde (manuais, e-books e lives) e monitoramento de grupos de risco para a Covid-19 – ações básicas ou determinações obrigatórias da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para os respondentes da pesquisa, os pontos mais insatisfatórios ou ausentes foram: testes para detecção da Covid-19, ações para promover o equilíbrio entre vida pessoal e profissional; e-books, manuais e lives sobre diversidade, além do monitoramento da saúde emocional e mental.

Já as empresas afirmam ter adotado como ações para o momento pandêmico o acesso remoto aos arquivos e recursos necessários ao trabalho (93%), tecnologia e dispositivos para o home office (75%), instruções para uma boa rotina de atividades (75%) e canais de comunicação para demandas e necessidades da nova dinâmica de trabalho (72%). Nos dois últimos itens, no entanto, apenas 43% dos colaboradores afirmam terem sido beneficiados satisfatoriamente.

O levantamento aponta também a baixa oferta de mobiliário para home office por parte das empresas, além da falta de suporte nos custos com energia e internet. No futuro, esta ausência de colaboração pode acarretar, inclusive, demandas trabalhistas.

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