Edição 60 Planejamento 2021

Reflexo da crise, ociosidade bate recorde nas fábricas brasileiras

Levantamento da IHS Markit mostra que, com melhoria da demanda e da produção, ocupação tende a melhorar em 2021
Giovanna Riato

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Um claro efeito da pandemia de coronavírus, a ociosidade das fábricas de veículos no Brasil está em patamar recorde. Em média, 2020 deve terminar com 55% do potencial produtivo das plantas de veículos leves sem utilização. No segmento de pesados o índice é de 65%. A estimativa é da IHS Markit com base nas principais fabricantes instaladas no País.

Com isso, a ocupação das fábricas de automóveis e comerciais leves diminuiu de 66% em 2019 para 45% este ano. Já as plantas de caminhões e ônibus saíram de 42% para apenas 35% de uso do potencial produtivo. A consultoria projeta melhoria do cenário em 2021, quando o nível de utilização tende a voltar a 57,5% em leves e 46% em pesados – ainda longe do ideal, mas já melhor do que o atual nível de alerta.

O cálculo da IHS Markit é feito com base na capacidade straight-time das fábricas. Ou seja, o potencial produtivo com a estrutura atual de força de trabalho e turnos de operação – algo que não deve mudar no curto prazo. Neste caso, a consultoria leva em conta 2,21 milhões de unidades por ano como a atual capacidade produtiva brasileira para veículos leves e 275 mil veículos no caso de caminhões e ônibus.

HYUNDAI E VOLVO TÊM MAIORES TAXAS DE OCUPAÇÃO

Entre as fabricantes de veículos leves, a Hyundai se destaca como a companhia com maior uso da capacidade produtiva este ano, aponta o levantamento da IHS Markit. Apesar do contexto pandêmico, a empresa trabalha com 67,4% de utilização de sua operação nacional, considerando o potencial straight-time. A previsão é de que, já em 2021, a taxa suba para 86,9%, considerado um porcentual de utilização próximo do ideal.

Por outro lado, o Grupo PSA enfrenta este ano o maior índice de osiosidade entre as fabricantes de leves, com 71,2% do potencial produtivo inutilizado no Brasil, índice que tende a diminuir para 47,7% em 2021.

Em relação aos veículos pesados, a Volvo deve atravessar 2020 com uso de 55,9% de seu potencial produtivo – acima da média das concorrentes e o índice mais alto do segmento. A projeção da IHS Markit é de que este porcentual suba para 62,8% em 2021. Este ano a CNH Industrial enfrenta o desafio de gerenciar a maior capacidade ociosa entre as fabricantes de pesados, de 71,4%.

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