Edição 60 Planejamento 2021

Lideranças projetam crescimento para 2021, mas em patamar inferior ao pré-pandemia

Presidentes da FCA, da Volkswagen, Audi, BMW e Nissan avaliam cenário para o ano e mantêm aposta em novas tecnologias e lançamentos apesar da crise
Giovanna Riato

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O próximo ano será de recuperação, com crescimento nas vendas de veículos leves. Ainda assim, o setor automotivo vai levar algum tempo para voltar ao patamar de vendas do pré-pandemia. “Apenas em 2022 nós devemos alcançar os volumes registrados em 2019, que já era um ano de recuperação”, diz Marco Silva, CEO da Nissan Brasil.

Ele e os presidentes da Volkswagen, da FCA – Fiat Chrysler Automobiles, da Audi e do BMW Group, participaram do #ABPlanOn – Planejamento Automotivo, quando apresentaram suas expectativas para o próximo ano. A seguir, conheça a visão destas lideranças sobre os principais aspectos de influência para o setor automotivo.

O IMPACTO DA PANDEMIA

No auge da pandemia a expectativa era de que 2020 terminasse com patamar de vendas 40% inferior ao registrado em 2019. Esta perspectiva melhorou um pouco com a recuperação dos últimos meses, como conta Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen Brasil e América Latina: “Hoje estamos com uma queda de 35% sobre o ano passado. É difícil prever como vamos fechar o ano, mas já dá para perceber que será melhor do que esperávamos”.

“Precisamos olhar o futuro com otimismo. Não saímos da tempestade, as ondas ainda chegam, mas o pior já passou”, diz Filosa.

Antonio Filosa, presidente da FCA América Latina, participou de podcast especial do #ABPlanOn. Ele concorda que a situação vem melhorando de forma gradual e entende que é  importante que as empresas deixem o pessimismo de lado, passando confiança para seus colaboradores, parceiros e para a sociedade.

Segundo ele, uma visão mais cuidadosa sobre as pessoas é uma das principais lições da pandemia. “Estes meses desafiaram a organização a quebrar paradigmas e a pensar no futuro com um olhar diferente. Percebi o quanto o meu time é bom – uma convicção que eu já tinha, mas ficou ainda mais forte.”

Marco Silva, da Nissan, apontou que, diante da crise, a companhia tomou algumas atitudes para garantir sua sustentabilidade futura na região. Entre elas, está a demissão de 348 funcionários, com a redução do ritmo de produção para apenas um turno, a decisão de encerrar a produção local do hatchback March e de importar a nova geração do Versa do México.

Segundo ele, o objetivo é manter a operação local competitiva para disputar outros projetos globais da companhia no futuro. “A indústria automotiva teve queda progressiva desde 2013. Quando começamos a retomar, tivemos o choque da Covid-19”, lembra, destacando o peso da crise.

“São ajustes de curto prazo diante de uma situação sem precedentes para adequar a fábrica à demanda que infelizmente não está voltando na mesma velocidade que caiu”, declarou Silva.

Já Aksel Krieger, presidente do BMW Group Brasil, viu a companhia passar por uma experiência diferente durante a crise. A marca ganhou participação nas vendas de veículos nos últimos meses e deve encerrar o ano com 8 mil carros fabricados na planta de Araquari, onde são feitos os modelos Série 3, X1, X3 e X4 – um volume expressivo para o segmento de luxo.

“O segmento premium sofreu um pouco menos do que a indústria de massa nesta crise”, aponta Krieger.

Ainda assim, o momento é desafiador, lembra ele, fazendo coro à expectativa de que o mercado brasileiro só voltará ao patamar pré-crise em 2022.

INVESTIMENTOS E LANÇAMENTOS

“Hoje um carro tem mais linhas de código do que um avião. Temos muita tecnologia embarcada”, calcula Krieger.

Durante a pandemia a BMW anunciou globalmente o plano de lançar 25 modelos eletrificados até 2023 – ofensiva que Aksel garante que chegará ao Brasil. “Teremos muitas novidades nos próximos anos”, diz. Assim como em toda a indústria, a digitalização também é uma frente que ganha força na BMW, que já vendeu 45 mil veículos conectados no Brasil.

Segundo ele, a empresa ainda não tem um modelo de monetização destas soluções, mas entende que este é o caminho para os próximos anos.

“Será possível, por exemplo, comprar novas funcionalidades depois que você já tem o carro como, por exemplo, pagar e passar a contar com aquecimento do banco do motorista depois de uma atualização de software”, aponta.

Na FCA, Filosa reafirmou que o investimento de R$ 16 bilhões no Brasil está mantido. A única mudança é que, por causa da pandemia, o aporte levará mais tempo a ser concluído: será de 2018 a 2025, sem acabar em 2024, conforme estava previsto inicialmente. ”Com as paradas sucessivas provocadas pela pandemia ao redor do mundo, mais os 55 dias de interrupção das fábricas no Brasil, acumulamos atraso de nove meses nos projetos”, justifica.

Ainda que com novo prazo, o montante será aplicado na modernização da fábrica de motores da FCA em Betim e no lançamento de 25 produtos, entre veículos totalmente novos e atualizações, incluindo dois utilitários esportivos da marca Fiat e um da Jeep. Em 2021 a companhia vai consolidar ainda a fusão com o Grupo PSA, formando um novo conglomerado automotivo, a Stellantis.

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“Teremos desdobramentos importantes em todas as regiões. Os benefícios da fusão serão percebidos pelas pessoas, pela cadeia de valor e pelos consumidores, que poderão contar com uma oferta mais rica”, diz Filosa.

Depois de lançar o Nivus durante a pandemia, Di Si, da Volkswagen, conta que a companhia está tomando as decisões finais em relação a investimentos futuros, sem uma definição por enquanto. Ele confirma que será preciso atrasar e até cancelar alguns projetos que estavam no horizonte, mas sequer tinham sido comunicados. “O impacto da pandemia no fluxo de caixa foi muito grande”, resume.

Ainda assim, o executivo lembra que a Volkswagen seguirá investindo na digitalização e em novos modelos de negócio. “Temos projetos piloto de carros por assinatura e vemos que esta mudança da compra do automóvel para a experiência com ele vai acelerar”, analisa. Segundo o executivo, três segmentos serão essenciais na retomada do mercado:

Depois de lançar o Nivus durante a pandemia, Di Si, da Volkswagen, conta que a companhia está tomando as decisões finais em relação a investimentos futuros, sem uma definição por enquanto. Ele confirma que será preciso atrasar e até cancelar alguns projetos que estavam no horizonte, mas sequer tinham sido comunicados. “O impacto da pandemia no fluxo de caixa foi muito grande”, resume.

Ainda assim, o executivo lembra que a Volkswagen seguirá investindo na digitalização e em novos modelos de negócio. “Temos projetos piloto de carros por assinatura e vemos que esta mudança da compra do automóvel para a experiência com ele vai acelerar”, analisa. Segundo o executivo, três segmentos serão essenciais na retomada do mercado:

“A demanda por carros populares vai crescer. Não aqueles modelos sem muitos recursos tecnológicos, mas o smart car, que é conectado. Outro segmento que seguirá em expansão é o de utilitários esportivos e, por último, o de picapes. Por ser um país tão voltado ao agronegócio, esta categoria seguirá relevante no Brasil”, diz Pablo Di Si.

VISÃO PARA 2021

Johannes Roscheck, presidente da Audi, CEO da Audi Brasil que gravou um vídeo para o #ABPlanOn, entende que a estratégia para o próximo ano deve manter a atenção a alguns aspectos principais. Um deles é o fluxo de caixa. “Todo mundo precisará preservar este aspecto”, avalia. Outro ponto é a necessidade de reformas, principalmente a tributária, para elevar a competitividade do País.

Filosa lembra que muitos aspectos influenciarão os negócios, incluindo alguns externos, como o próprio comportamento da pandemia. O executivo entende, no entanto, que as empresas precisam colaborar com a construção de um ambiente de maior confiança no futuro ao fazer lançamentos, evitar demissões e superar a visão mais pessimista da crise.

Segundo ele, esta é uma atitude essencial até mesmo para que os consumidores voltem a comprar e o mercado tenha uma recuperação mais rápida.

“Sem fechar os olhos para os problemas da pandemia, precisamos construir perspectivas futuras melhores e contagiar a sociedade”, aponta.

Di Si segue o mesmo tom e diz que um dos legados importantes da crise é o contexto de colaboração e eficiência. “Preciso parabenizar a cadeia de fornecedores. Sabíamos que não seria fácil contornar a crise, mas fui surpreendido pela velocidade de reação dos nossos parceiros. Retomar a produção depois do primeiro momento da crise era algo desafiador e, ainda assim, não enfrentamos qualquer problema de sequenciamento ou logística”, conta.

Segundo ele, 2021 demandará a mesma agilidade e capacidade de tomar decisões rápido, com atenção constante a eventuais mudanças na rota.

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