Edição 61 Visão de futuro

A força da inovação no agronegócio

Para melhorar a produtividade, é preciso antes investir na conectividade
Erica Munhoz

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Seria exagero dizer que existem máquinas e implementos agrícolas que parecem vindos do futuro? Hoje já encontramos tecnologia no campo que é superior à encontrada em automóveis de passeio. Caminhões completamente autônomos são bons exemplos. E há outras frentes, como drones que sobrevoam imensas áreas e geram relatórios sobre extensão plantada e tamanho das plantas em minutos.

Também existem softwares de gestão de informações geográficas com diversas aplicações em mapas e coletadas no campo. É possível até programar a máquina, a partir de uma foto de satélite, para plantar em determinadas áreas e, em outras, não colocar sementes. O fato é que isso tudo já é realidade.

A agricultura global se desenvolveu em um ritmo exponencial nas últimas décadas, o que impulsionou o avanço de novas tecnologias, que por sua vez gerou maior eficiência operacional e aumentou a produtividade e a rentabilidade dos produtores.

E, quando se fala em tecnologias para o agronegócio, o Brasil é referência mundial. A evolução constante nessa área está diretamente ligada aos recordes alcançados ano a ano pelo setor agrícola brasileiro. Mas para seguir crescendo é preciso continuar evoluindo. E isso só é possível com saltos de produtividade a partir da agricultura digital e da automação.

ACESSO REDUZIDO À INTERNET

Tudo isso converge para uma maior integração entre internet e campo, algo que, no Brasil, esbarra em infraestrutura adequada. Falta boa conexão com a internet, realidade em muitas áreas rurais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 21% das pessoas que vivem nesses locais dizem não ter acesso à rede.

“A grande tendência hoje no mercado de máquinas agrícolas são as tecnologias de digitalização, servitização e automação da operação, que permitem integrar todo trabalho da fazenda com a transmissão e recepção de dados em tempo real. Mas sem acesso à internet não é possível fazer uso dessas tecnologias”.

“A falta de conectividade cria diversas ineficiências no agronegócio.”

Sergio Soares, diretor de desenvolvimento de produto e engenharia agrícola da CNH Industrial para a América do Sul

Essa conclusão foi reforçada por Sergio Soares, diretor de desenvolvimento de produto e engenharia agrícola da CNH Industrial para a América do Sul. Ele diz que, para melhorar a produtividade e possibilitar que os produtores possam usufruir das tecnologias já disponíveis na agricultura 4.0 ou na agricultura de precisão, é preciso conectividade no campo.

“A grande tendência hoje no mercado de máquinas agrícolas são as tecnologias de digitalização, servitização e automação da operação, que permitem integrar todo trabalho da fazenda com a transmissão e recepção de dados em tempo real. Mas sem acesso à internet não é possível fazer uso dessas tecnologias”.

Tratores mais modernos trazem piloto automático, que ajuda reduzir o consumo de combustível e aumentar a produtividade

Para Alfredo Jobke, diretor de marketing da AGCO América do Sul, o que não se pode esquecer é que não basta oferecer somente soluções tecnológicas inovadoras. Ainda hoje, mais de 70% das propriedades rurais no Brasil não têm acesso à internet. Por isso, para promover a revolução digital sobre esta realidade e levar conectividade acessível aos produtores de todo país, grandes empresas de tecnologia, de telecomunicações e do agronegócio, dentre as quais a AGCO e a CNH Industrial, formam e apoiam a Associação ConectarAgro.

“Por meio da tecnologia integrada oferecida pela ConectarAgro, o produtor conquista a facilidade para o campo se comunicar com clientes e fornecedores, além de ter acesso maior às novas tecnologias, às soluções para processar e monitorar os dados do campo e ao ganho de tempo e produtividade para suprir o elevado nível exigido pela agroindústria brasileira”, observa Jobke.

“Por meio da tecnologia integrada oferecida pela ConectarAgro, o produtor conquista a facilidade para o campo se comunicar com clientes e fornecedores.”

Alfredo Jobke, diretor de marketing da AGCO América do Sul

O USO DA TECNOLOGIA 4G

“A inclusão digital de áreas remotas e rurais é crucial para o futuro da produtividade no campo.”

Rodrigo Bonato, diretor de ISG (grupo de soluções inteligentes) da John Deere para a América Latina.

Até agora, o ConectarAgro integrou à internet área total de 5,1 milhões de hectares, o equivalente a 8% da área agrícola no Brasil, que foram conectados por sistema de telefonia celular 4G, trazendo para a rede mundial 575 mil pessoas de 50 mil propriedades rurais, 90% delas com menos de 100 hectares, localizadas em 218 municípios de oito estados, que envolvem a conexão de mais de 24 mil km de vias, entre estradas asfaltadas e de terra.

A inclusão digital de áreas remotas e rurais é crucial para o futuro da produtividade no campo, concorda Rodrigo Bonato, diretor de ISG (grupo de soluções inteligentes) da John Deere para América Latina. Uma vez conectado, o produtor rural poderá ter acesso às tecnologias disponíveis no mercado.

“Dessa forma, o produtor pode administrar suas operações agrícolas de forma simples e assertiva, garantindo excelentes ganhos em produtividade. Ao se conectar, ele consegue controlar a manutenção das máquinas, fazer diagnósticos remotos, prever falhas, além de coletar e enviar dados agronômicos para ajustar os parâmetros de preparo, plantio, aplicação e colheita”.

INTERAÇÃO EM TEMPO REAL

Com o aumento da potência dos computadores e a expansão da conectividade, a agricultura de precisão começa a mudar para um novo nível: a agricultura digital. A interação em tempo real entre a máquina, os dados agronômicos e o campo estão proporcionando mais um salto exponencial na produtividade agrícola.

Um dos exemplos mais evidentes é a utilização de telemetria e gestão de dados, já comuns em usinas de cana-de-açúcar, por exemplo. Mas não só. Tem se expandido pelas áreas de grãos, com enfoque inicial na parte de gestão de frota e manutenção, mas também migrando para o uso mais intensivo dos mapas de produtividade e agricultura de precisão em tempo real.

Mas a evolução não para por aí, sinaliza Soares, da CNH Industrial. Ele esclarece que a mecanização agrícola e a agricultura digital são as tecnologias de base para o desenvolvimento de funções automatizadas das máquinas na agricultura, um passo obrigatório para o futuro da automação:

“As máquinas começam a ser equipadas com sensores, processadores e softwares para ajustar de forma automática funções agronômicas e industriais, considerando o ambiente do campo (que é complexo e não estruturado), adaptando sua operação a várias situações imprevisíveis sem intervenção humana. Ao mesmo tempo, garantem alto nível de produtividade a um custo adequado. Essa tecnologia visa melhorar a performance do operador e eliminar a variação de produtividade entre diferentes operadores”.

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CAMINHÕES SEM MOTORISTAS

É a partir da automação das funções que surge uma outra tecnologia relacionada ao desenvolvimento de máquinas totalmente autônomas e robóticas. Desde 2017, as plantações de cana-de-açúcar já têm se beneficiado do uso de caminhões autônomos. Em 2017 a Volvo começou a operar com um semipesado VM equipado com a tecnologia.

Em 2018 foi a vez do Mercedes-Benz Axor 3131 8×4 começar a ser usado também ao lado da colheitadeira de cana que, neste caso, também é autônoma. Ele é especialmente adaptado para passar exatamente no meio das linhas plantadas sem pisotear os brotos de cana, que após o corte dão origem a algo como cinco safras.

Com isso, segundo a Mercedes, o cliente aumentou sua produtividade em 10%, além de ter reduzido o consumo de combustível em 50% e o custo da operação em até 30%, graças ao menor número de viagens entre a colheita e o transbordo da cana picada para caminhões maiores.

Rodrigo Bonato, da John Deere, destaca que a autonomia na agricultura é uma das inovações mais presentes no dia a dia do produtor rural. Atualmente, muitos equipamentos já saem de fábrica com piloto automático, por exemplo. Mesmo com alguns desafios em infraestrutura, principalmente em telecomunicação nas áreas agrícolas, as tecnologias servem para desbloquear o potencial econômico e sustentável dos produtores.

Também já existe uma rápida expansão de operações robóticas com drones e outros equipamentos aéreos fazendo a diferença em campos abertos. “Inicialmente, esses equipamentos eram usados apenas para a patrulha, mas estão rapidamente expandindo seu uso para outras áreas de operação, incluindo a aplicação direcionada de produtos de proteção à colheita e até na própria colheita, como é o caso dos drones da startup Tevel Aerobotics, que são amarrados com câmeras e braços automatizados usados para a colheita de frutas”, conta o diretor da CNH Industrial.

Não demora e tratores, pulverizadores e outras formas de plataformas robotizadas serão vistos no campo, sempre visando um aumento ainda maior da produtividade. Com isso, será possível cobrir as limitações de mão de obra que surgirão com o avanço da produção agrícola que se faz necessário para atender a demanda global.

Nesse sentido, já existem muitos conceitos em desenvolvimento, mas, devido à complexidade de operação, além de limitações legislativas e culturais, ainda deve demorar um pouco para que essas tecnologias estejam presentes nas fazendas brasileiras em grande escala. Ainda assim, mais cedo ou mais tarde, farão parte do futuro da agricultura brasileira.

RECORDES

Apesar de todos os desafios trazidos pela pandemia da Covid-19, o Brasil teve outra safra recorde de grãos no período 2019/20, que se encerrou com o registro histórico de 257,8 milhões de toneladas, segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume foi 4,5% superior ao da safra passada.

“E isso porque ainda faltam os resultados das culturas de inverno, que também devem apresentar crescimento. Acredito que, com todos os ganhos tecnológicos no setor, continuaremos vendo nossa agricultura batendo recordes de produção nos próximos anos”, alerta Sergio Soares, diretor da CNH Industrial.

Para Alfredo Jobke, da AGCO, a agricultura brasileira é pujante, inquieta e absolutamente eficaz. Dela depende a alimentação de quase 1,2 bilhão de pessoas no mundo. A agricultura brasileira é uma força incontestável, salienta Rodrigo Bonato, da John Deere.

Sergio Soares, da CNH Industrial, acredita que se hoje o agronegócio nacional já é referência, sendo o Brasil conhecido como o “celeiro do mundo”, quando a inclusão digital chegar em todas as áreas rurais e remotas do país, ocupará a liderança.

Rodrigo Bonato, da John Deere, explica que, hoje, o Brasil preserva 66% de seu território e utiliza apenas 30% dele para atividades ligadas à agropecuária, sendo 21% para a pecuária e 9% para a agricultura. E, ainda assim, o país segue quebrando recordes de produção ano após ano e isso, em grande parte, graças às inovações tecnológicas que têm impulsionado ainda mais o setor.

INOVAÇÃO NO CAMPO

Agricultura vertical: um conceito de agricultura para o cultivo de plantas em ambientes fechados

Robôs catadores: máquinas que podem alternar entre todos os tipos de culturas

Drones: os agricultores podem ter acesso a serviços de mapeamento aéreo e sistematização das áreas, além de analisar as falhas de plantio

Softwares de agricultura de precisão: com essas ferramentas é possível gerenciar toda cadeia produtiva agrícola, além de ter o melhor controle dos dados do campo, o que contribui na tomada de decisões

Máquinas autônomas: basta um tablet, smartphone ou computador para controlar de longe as atividades da máquina no campo

Câmeras de imagens térmicas: detectam tetas inflamadas em vacas para fornecer um tratamento precoce no combate à mastite, um dos maiores problemas enfrentados na pecuária ultimamente

Fonte: ConectarAgro

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