Edição 61 Pessoas

Desafios das lideranças na pandemia se renovarão para o futuro

CEOs da Ipsos e PSA abordam o momento de transformação diante de empregados e consumidores
Erica Munhoz

Patrocinadores desta edição:

Sem tempo para ler? Que tal OUVIR esse texto? Clique no play!

O modo como as lideranças das empresas manejaram o desafio da pandemia de coronavírus foi tema abordado por Marcos Calliari, CEO da Ipsos (empresa pesquisa e inteligência de mercado), e Patrice Lucas, presidente do Grupo PSA América Latina, durante o #ABX20 – Automotive Business Experience.

Para Calliari, num primeiro momento, quando foi preciso parar tudo em função da Covid-19, houve a necessidade de enfrentamento, reorganização e sobrevivência, e todos os líderes precisaram pensar na saúde do negócio e também das pessoas:

“No primeiro momento da pandemia, vimos enorme dedicação dos líderes, de tempo e de recursos, para se adequar à imprevisibilidade. Depois, veio a fase de adaptação com as medidas de segurança e preservação. Agora, é tempo de se antecipar às mudanças”, indica Calliari.

Segundo o CEO da Ipsos, são três os grandes desafios das lideranças daqui para frente: necessidade de crescimento, rever os processos da empresa para entregar relevância ao mercado e gestão de talentos. Para tanto, será mandatório ouvir mais os clientes, praticar mudanças contínuas sempre em busca de eficiência e integrar os talentos, com um novo olhar da área de recursos humanos para a questão do sistema híbrido de trabalho (empresa e remoto/home office). A comunicação precisará ser clara e reforçada e a gestão mais técnica, voltada ao desempenho e autonomia.

No Grupo PSA os desafios foram igualmente intensos. A primeira providência foi proteger colaboradores, com fechamento da produção e áreas administrativas, e também a empresa, estabelecendo protocolos de segurança contra a Covid-19, dando continuidade aos negócios, simplificando processos e buscando vendas para resistir à baixa do caixa:

“A comunicação foi essencial nesse processo todo para seguir com um bom e eficiente contato com as pessoas, informando os passos que daríamos de maneira clara e objetiva”, lembrou Patrice Lucas.

Em julho, após três meses de paralisação, a PSA retomou a produção na fábrica de Porto Real (RJ) e, passada a fase mais aguda da pandemia, mais uma vez precisou se reorganizar para o rebote de mercado, não só com a demanda que havia ficado represada, mas com a mudança de necessidade do clientes, que partiram em busca dos carros de modo a evitar o transporte público. Com isso, a empresa precisou aumentar os volumes de produção, mas com parcimônia porque empatar recursos em estoque é algo muito complicado para as montadoras neste momento, segundo Patrice Lucas.

No início de novembro a parte administrativa voltou ao trabalho no escritório, mas sem a exigência da PSA de presença maciça. Houve quem preferiu manter o home office. E a partir dessa experiência a empresa está fazendo uma revisão das atividades para aproveitar o melhor dos dois mundos que se desenharam no período. A meta, contou Lucas, é baixar dos 100% para 30% a presença no escritório.

Na opinião de Calliari o que aconteceu foi um isolamento com várias cargas emocionais, portanto o que está se vivenciando é algo diferente do simples home office, porque as pessoas não estavam acostumadas, mas precisaram se adaptar e isso pode gerar várias implicações. Quando a pandemia arrefecer, como será lidar com a distância sem perda? E a cultura corporativa vai se perder? Inovação está ligada à convivência e troca de ideias: como criar esse ambiente com as pessoas distantes?

“Por isso digo que a gestão de talentos deverá ser mais técnica de modo a afinar os objetivos dos colaboradores com os da empresa”, afirma o CEO da Ipsos.

Assista a live que os executivos participaram no #ABX20

Ambos os executivos concordam que integração será um grande desafio. Por outro lado, também acreditam na capacidade do ser humano de ser adaptar. Para o presidente da PSA, o desafio trouxe consigo grandes aprendizados e um dos mais importantes foi entender que simplificação é essencial.

“Quanto mais objetivos formos em nossas orientações e mais claros em nossos planos de ação, melhor. É onde a comunicação entra para dar sentido, explicar, cuidar, escutar e dar os passos necessários. Assim conquistamos agilidade, trabalho coletivo e eficiência, que nos guiará para o futuro e nos ajudará a viver nesse mundo caótico, que não gostamos, mas que é realidade e temos que enfrentar”, frisou Patrice Lucas.

CLIENTE NO CENTRO DA TRANSFORMAÇÃO

“Indiscutivelmente houve e haverá mudança de comportamento. Será preciso reavaliar a jornada de compra do cliente e bolar novas estratégias. As famílias estarão mais conscientes dos gastos e isso pode afetar o setor automotivo. Por outro lado, a pandemia motiva a compra do carro. São questões antagônicas, mas, ao mesmo tempo, complementares para a construção dos próximos passos. E é bom as empresas se atentarem que a responsabilidade social está no radar das pessoas e será fator de decisão”, destacou Marcos Calliari.

E Lucas reforçou que essa mudança de comportamento do cliente obriga as montadoras não só a fabricar e vender produtos, mas a entregar serviços: “A nova geração não tem a mesma relação com o automóvel que a passada. Veículo hoje é um objeto de conexão, depois será autônomo, uma virada tecnológica que mudará essa relação. Temos que trabalhar com essas visões para elaborar o futuro”, finalizou.

Você também pode gostar