(Re)invenção da mobilidade Edição 61

O Brasil na evolução tecnológica veicular

As estratégias da Volvo Car, Volvo Trucks e CNH Industrial
Erica Munhoz

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Executivos da Volvo Trucks, Volvo Car e CNH Industrial traçaram um panorama sobre automação, eletrificação e conectividade durante o #ABX20 – Automotive Business Experience, realizado em novembro. Alan Holzmann, diretor de estratégia de produtos da Volvo Trucks Latin America, e João de Oliveira, diretor de operações e inovação da Volvo Cars Brasil, abordaram o quanto as duas companhias que carregam a mesma marca sueca estão engajadas em avanços significativos nesse contexto.

“Em automóveis estamos focando na expansão dos híbridos e assim será por um bom tempo até atingirmos a transição para o veículo 100% elétrico. A Volvo Cars inova no segmento de motorizações elétricas desde os anos 70. Então, para nós, são questão natural os avanços tecnológicos e, também, um posicionamento claro do nosso comprometimento com a mobilidade sustentável e a redução de emissões”, contou João Oliveira.

No caso dos veículos pesados de carga, Holzmann afirmou que a Volvo foi muito objetiva quando lançou sua jornada de eletrificação para os próximos anos, primeiro, em 2019 com o lançamento de caminhões elétricos médios e, agora, com a extensão da propulsão elétrica para modelos pesados, que serão lançados a partir do ano que vem. Segundo ele, os novos produtos estarão disponíveis para vendas efetivas em 2021 e em escala industrial em 2022, mas com o claro objetivo de até 2040 ter uma oferta de produtos totalmente livres de combustíveis fósseis.

“Nessa jornada passamos por todas essas tecnologias. É um pouco diferente dos automóveis, porque temos outras questões a resolver, como as cargas gigantescas nos veículos de longa distância, o que nos impõe alguns desafios. Mas vamos passar pelos caminhões a bateria, a célula de combustível e com espaço para alguma hibridização nesse meio tempo. A Volvo está se posicionando com uma estratégia modular de produto”, explicou Alan Holzmann.

VOLVO CARS SÓ VAI VENDER CARROS HÍBRIDOS E ELÉTRICOS EM 2021

Sobre a aceitação pelo consumidor brasileiro dos produtos elétricos e híbridos, Oliveira, da Volvo Cars, destacou que é cada vez maior. Boa medida é analisar o mix de vendas dos automóveis da marca por aqui. Em 2019, a montadora vendia 20% em produtos eletrificados. Este ano a média deve ficar em 43% e, se analisados os dois últimos meses, 60%. A projeção é que no primeiro trimestre de 2021 a migração para híbridos de toda a oferta de produtos esteja completa e a partir do segundo trimestre a Volvo já não ofereça mais no Brasil carros que sejam unicamente impulsionados por motor a combustão interna. Serão só híbridos ou elétricos, seguindo a estratégia global da fabricante.

Do ponto de vista do consumidor, uma pesquisa interna da montadora com seus clientes revela que 86% dos proprietários de híbridos não retroagirão na troca. Ou continuam com o híbrido ou tentarão uma opção 100% elétrica.

“Outro ponto importante é quando olhamos o valor residual. O XC60 acabou de ser eleito o híbrido com menor desvalorização depois de um ano, com 9,8% de depreciação, índice muito baixo, algo que no passado era impensável com relação à aceitação do consumidor sobre o modelo. Hoje, vemos um mercado crescente de seminovos de híbridos. Tudo isso mostra qual é a atual aceitação do híbrido no Brasil”, revela Oliveira.

E deu outro dado para complementar a questão da aceitação desse tipo de veículo por aqui. De cada quatro SUVs premium vendidos no Brasil, um é Volvo. Deste total, metade já é de híbridos, reforçando a presença da tecnologia no mercado e fortalecendo os próximos passos da montadora que, no segundo semestre de 2021, lançará aqui o seu primeiro modelo 100% elétrico, o XC40 Recharge.

E os caminhões elétricos Volvo, quando chegarão ao Brasil? Holzmann disse que ainda não se pode falar em data, mas que o caminho estabelecido pela fabricante globalmente inexoravelmente será seguido também no Brasil.

“Quando falamos de veículos comerciais, temos alguns desafios adicionais [na eletrificação], como a infraestrutura de carregamento que ainda é problemática, bem como sob o ponto de vista de o produto precisar ser financeiramente atrativo ao consumidor. Estamos em uma curva de ascensão de tecnologia e de queda de custos bastante acelerada e muito próximos do ponto de equilíbrio”, diz Holzmann.

Ele prossegue: “Temos alguns pré-requisitos para cumprir em termos de infraestrutura, de incentivos fiscais, aguardar como ficará a política industrial, porque o caminhão precisa ter Finame [para viabilizar a venda no Brasil] e, para tanto, conteúdo local [é obrigatório na obtenção do financiamento]. Então, precisamos vencer esses desafios para que possamos fazer uma introdução segura de caminhões elétricos aqui”, ponderou Holzmann.

Assista a live que os executivos participaram no #ABX20

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BRASIL PARTICIPA DA EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DA CNH INDUSTRIAL

Diretamente dos Estados Unidos, Jay Iyengar, vice-presidente global de tecnologia (CTO) da CNH Industrial, abordou o tema “O Brasil na evolução global dos veículos pesados e máquinas”.

“O Brasil é extremamente importante para a CNH e sua cultura de inovação é muito rica. Vemos o país como um solo fértil para desenvolvimento de inovação para a empresa globalmente” afirma.

Ela elenca os motivos: “Crescimento contínuo do agronegócio (mesmo com a pandemia), expansão da infraestrutura, pool de talentos, foco em inteligência artificial, inovação, melhores fintechs. Tudo é pensando visando o ecossistema”, reforçou.

A empresa está presente no País com vários centros de pesquisa e de desenvolvimento e também com uma das maiores plantas de produção do mundo de máquinas agrícolas, localizada em Curitiba (PR). Ela também destacou que a contribuição que o Brasil pode dar para o resto do mundo é enorme: “Olhamos a tecnologia de perto e todas elas são implementadas para atender clientes globais”.

Protótipo Nikola TER

TECNOLOGIAS EM BENEFÍCIO DO MEIO AMBIENTE

Um trator que se move alimentado por biogás produzido a partir de dejetos gerados na própria fazenda a um custo 30% inferior ao do diesel, com o mesmo desempenho e com redução de 80% nas emissões, é uma das apostas da CNH Industrial em benefício do meio ambiente. Esse é o conceito do trator movido a biometano, tecnologia criada garantir sustentabilidade econômica ao produtor aliada à sustentabilidade ambiental. A extração de biometano pode ser combustível para máquinas, tratores e caminhões.

Segundo Jay, a CNH Industrial também está focada em eletrificação para redução de emissões de CO2 e já faz testes do protótipo Nikola TER, primeiro veículo resultante da joint venture com a Nikola Motors. O protótipo do caminhão elétrico equipado com células de hidrogênio, um Iveco 4×2, destina-se a aplicações regionais e tem autonomia de até 400 km.

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