(Re)invenção da mobilidade Edição 61

Tecnologia molda o futuro da mobilidade segura e sustentável

O ponto de vista do Itaú e da Bright Cities
Erica Munhoz

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A jornada de lives do #ABX20 – Automotive Business Experience, em novembro, focou no futuro da mobilidade. Temas como cidades inteligentes e caminhos para criar deslocamentos mais seguros e sustentáveis foram debatidos pelos especialistas convidados.

Neste ano absolutamente atípico, de mudanças comportamentais em função da pandemia, muita coisa mudou. As evoluções tecnológicas, que talvez demorassem dois ou três anos para acontecer, precisaram ser antecipadas, com intensificação da digitalização que vem transformando completamente o cenário. Dados apresentados por Rodnei Bernardino, diretor de negócios veículos do Itaú Unibanco, reforçam essa visão. Antes da pandemia, 30% das operações de financiamento de veículos ocorriam por processo digital, enquanto hoje o índice é de 85%, ao que parece em um movimento que veio para ficar.

“Houve significativa migração do transporte coletivo para o individual pelas condições higiênicas. Isso ajudou a aumentar a demanda por veículos, mas não sabemos por quanto tempo vai durar”, avalia Rodnei Bernardino.

Luciana Nicola, superintendente de relações institucionais, sustentabilidade e empreendedorismo do Itaú Unibanco, apontou que o cenário modificado pela pandemia ajudou também a impulsionar outras modalidades de transporte individual. “No Bike Itaú já vínhamos acompanhando essa transformação antes da pandemia, mas se intensificou muito. Primeiro pelo perigo de contágio [no uso do transporte público] e também porque surgiram outras oportunidades [de aplicação], como o uso da bicicleta para serviços de entrega, por exemplo.”

Sobre as opções de micromobilidade, Luciana destacou que a bicicleta se tornou um modal viável no Brasil. Bom exemplo é o próprio Bike Itaú que já completou 10 anos de funcionamento. Mas não se pode dizer o mesmo dos patinetes e a explicação é o baixo investimento por parte do poder público. Somente com a receita do usuário o negócio não se mantém. Para se ter ideia, no caso das bicicletas do Itaú os usuários financiam apenas 30% da operação, o restante é mantido com fundos do banco.

Bernardino também lembrou que o trabalho em casa (home office) intensificado pela pandemia trouxe mudança de comportamento e isso tem impacto na mobilidade, porém é muito cedo para dizer o efeito disso em médio e longo prazo. Se veio para ficar, deve trazer benefício para o trânsito, mas não malefícios aos modais. Talvez mude um pouco o perfil do veículo a ser adquirido, a forma de se locomover dentro e ao redor das grandes cidades.

Assista a live que os executivos participaram no #ABX20

RUMO ÀS CIDADES INTELIGENTES

Para Raquel Cardamone, especialista em cidades inteligentes e fundadora da Bright Cities, ocorreram mudanças evidentes nos âmbitos ambiental, social e econômico, fazendo o conceito de mobilidade sustentável ganhar corpo com o momento. “O bom disso tudo é que se o tema estava muito em alta antes da pandemia, agora ganhou reforço. E para evoluir com essa pauta é preciso que haja a absorção de tecnologia por parte dos serviços públicos, para promover transformações analisando dados de movimentação das cidades e cidadãos.”

Ela citou várias iniciativas de análise e dados, incluindo a Carta Brasileira sobre Cidades, que está em consulta pública, organizada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) com o objetivo de orientar a agenda de cidades inteligentes para os próximos anos, além de auxiliar estados e municípios a formularem políticas relacionadas ao tema. O documento tem como base premissas da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano.

“Muito já foi feito, mas ainda precisamos avançar bastante no tema. Para ser uma cidade inteligente tem que ter bom planejamento estratégico em todas as áreas, envolvendo todas as instâncias”, pontua Raquel.

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OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO

Mobilidade urbana é uma causa institucional, um papel de todos, salientou Luciana: “Modais mais sustentáveis promovem a transformação e não se faz isso sem poder público, que deve prover a infraestrutura, enquanto a sociedade civil organizada traz novas propostas, projetos e estudos para o debate. Isso só funciona quando a sociedade é ativa. O Itaú entra como grande financiador, patrocinando projetos. É onde devemos e podemos estar presentes com apoio ao poder público, diálogos abertos e treinamentos.”

Bernardino explicou que o Itaú olha a mobilidade como oportunidade de negócio. “O Brasil é imenso. Os grandes centros urbanos são muito diferentes de outras cidades do País. Vivemos movimentos que conviverão no médio prazo e temos que estar preparados para qualquer que seja a tendência, mobilidade de uso, de aquisição, compartilhada. Como trabalhamos diversas frentes, estamos envolvidos em todo o ecossistema, sempre com soluções financeiras, seja para o prestador do serviço, seja para o consumidor dele”, diz. E prossegue:

“Estimular o poder de transformação das pessoas é o nosso negócio, independentemente de nível, região, poder aquisitivo. É assim que promovemos o acesso à mobilidade”, finaliza Bernardino.

SEGURANÇA E SUSTENTABILIDADE

Shailen Bhatt, CEO da Intelligent Transportation Society of America (ITS), participou do #ABX20 de sua casa em Washington, nos Estados Unidos. Bhatt lidera a entidade que reúne entes estatais e empresas privadas em sua missão de promover a pesquisa e adoção de tecnologias para tornar os meios de transporte mais seguros, eficientes e amigáveis ao meio ambiente.

O especialista defende a intensificação do uso da tecnologia para salvar vidas e reduzir acidentes, como veículos que podem se comunicar entre si e com a infraestrutura viária para mitigar riscos e evitar congestionamentos. Também entende que os meios de transporte precisam diminuir sua pegada de carbono, ao mesmo tempo em que é necessário fornecer mobilidade e opções de transporte ideais para as pessoas, não importa onde vivam.

Bhatt mostrou alguns números para justificar a importância do que defende. Segundo ele, 37 mil pessoas morrem por ano em acidentes automobilísticos nos Estados Unidos, e em 95% dos casos eles ocorrem por erros humanos que poderiam ser evitados com aplicação dos modernos sistemas de auxílio à condução. Cem horas é o tempo médio que os norte-americanos passam em engarrafamentos todo ano e 28% das emissões são oriundas do setor de transporte naquele país. A tecnologia tem papel fundamental na resolução dessas questões.

“Precisamos melhorar urgentemente todos esses índices. Distração é a principal causa dos acidentes, afetando pedestres, ciclistas e motociclistas. É crítico que a tecnologia seja aplicada para a segurança no trânsito e nas estradas para reduzir a taxa de fatalidades, bem como nos carros e caminhões para diminuir os impactos ambientais. Neste último caso, a eletrificação é um bom caminho. Na verdade, há um universo de soluções usando a tecnologia”, afirma Shailen Bhatt.

O CEO da ITS destacou também que as tecnologias de comunicação sem fio de quinta geração (5G) têm o potencial de fornecer um sistema de transporte mais seguro e inclusivo. Observou que, embora o mundo esteja inundado por um mar de big data, o 5G tem velocidade e largura de banda para converter esses dados em informações acionáveis que, por sua vez, ajudarão a reduzir acidentes e a operar os sistemas de transporte de forma mais eficaz.

“Embora os veículos possam se comunicar uns com os outros e com todos os usuários do sistema hoje (V2X), isso só ficará mais fácil com o 5G e outras tecnologias sem fio da próxima geração. Com comunicações de alta velocidade entre dispositivos, veículos e infraestrutura, bem como pedestres, podemos criar um ambiente muito mais seguro nas áreas metropolitanas e rurais em que todos podem ver todos os usuários”, defendeu.

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